Quando o primeiro Eclipse cobriu o céu e o mundo se tingiu de vermelho, não havia nome, espada ou fé capaz de deter o que caminhava entre as trevas. Cidades inteiras se calaram em uma única noite, e os Deuses, tão silenciosos quanto a própria lua negra, pareciam observar o fim sem interferir.

Mas entre o medo e a destruição, um grupo de guerreiros se ergueu. Eram homens e mulheres comuns, soldados sem pátria, estudiosos e até ladrões arrependidos. Uniram-se não por glória, mas pela recusa em aceitar que a morte reinaria sozinha. Assim nasceu a ordem dos Ecos do Eclipse.

Os Ecos do Eclipse

A Forja da Esperança

O início dos Ecos foi marcado por desespero. Nenhuma lâmina cortava as criaturas trazidas pelo Eclipse, nenhuma armadura resistia ao toque delas. Foi quando um ferreiro de nome perdido nas eras, guiado por uma vidente cega, descobriu o segredo das Bênçãos da Noite.

Diz-se que mergulhou ferro em sangue e orvalho lunar, rezando por sete dias diante de uma fogueira feita com ossos de um abissal. Quando a lua retornou ao céu, o ferro se tornou negro como breu e leve como sombra. Assim nasceram as primeiras armaduras abençoadas, receptáculos de uma benção que se equilibrava entre a luz e a escuridão.

Essas armaduras não apenas protegiam, elas escondiam seus portadores. Durante o Eclipse, tornavam-se parte da própria penumbra, permitindo que os Ecos caminhassem entre as criaturas e as enfrentassem com vantagem.

A Ordem e Seus Líderes

Com o tempo, a ordem cresceu. passaram a treinar em fortalezas subterrâneas e monastérios isolados, onde o sol raramente tocava as pedras. Seus corpos eram moldados pela resistência e suas mentes pela serenidade diante do medo.

O primeiro grande comandante foi Kael Varyn, conhecido como A Lâmina que Brilhou no Eclipse. Foi ele quem organizou as primeiras investidas contra as hordas abissais e criou o juramento dos Ecos:

“Não buscamos a luz, mas o equilíbrio.
Onde a sombra cai, lá estaremos.”

Depois dele veio Seris Morn, uma antiga sacerdotisa que descobriu como canalizar as bênçãos dos Deuses esquecidos nas armaduras. Sob seu comando, os Sentinelas aprenderam a unir fé e ferro, suas armas eram agora templos, e cada golpe, uma prece.

Mais tarde, Tharion dos Cem Ciclos transformou a ordem em uma força móvel, espalhando pequenas unidades pelo mundo. Cada grupo tornou-se autossuficiente, com guerreiros, curandeiros e conjuradores capazes de manter viva a chama da luta.

A Vigília Eterna

Os Ecos não lutam apenas durante os Eclipses, viajam por todo o continente, investigando ruínas, lendas e sinais que possam revelar a origem da maldição. Mantêm registros em tomos de ferro, escritos com sangue e cinzas, para que nada se perca caso a ordem caia.

Entre os estudiosos, acredita-se que a própria lua guarda um segredo antigo, e que os Ecos buscam mais do que sobrevivência, buscam redenção.

“Quando o céu se tornar vermelho, o medo voltará.
Quando o medo chegar, as sombras caminharão.
E onde as sombras caminharem, a vida ainda resistirá.”